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Charlles André aos 8 anosCharlles André Souza de Almeida nasceu na Maternidade Pró-Matre, Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro, em 10 de agosto de 1972 e se criou no bairro de Guadalupe, no subúrbio da cidade. Filho do policial civil, Salvador Rocha de Almeida e da dona de casa, Orli Souza de Almeida, Charlles conta que seus pais se conheceram fazendo apresentações em festivais de rádios nas décadas de 1950 e 1960 como cantores amadores. Dona “Marlene”, como é conhecida a mãe de Charlles, chegou a fazer parte do coro da banda de Ataulfo Alves naquela época, mas nunca se profissionalizou.

Charlles André quando jogava no América FCCaçula de quatro irmãos, sendo três homens e uma mulher, entrou para a música por acaso. Charllinhos, como é conhecido no pagode, teve sua vida voltada para o futebol desde os 7 anos de idade. Jogou futebol de salão passando por categorias desde o fraldinha até o infantil do Guadalupe Country Clube. Aos 14 anos, começou a jogar futebol de campo no América Futebol Clube, na época em Vila Isabel, iniciando no infantil até alcançar o profissional, sendo promovido a cada categoria gradativamente até os 21 anos, quando precisou escolher entre suas duas paixões: o futebol e a música.

Charlles André conta que a música surgiu em sua vida na adolescência como forma de lazer quando tinha 15 anos. Relembra que todos voltavam do futebol no mesmo ônibus e a garotada começava a batucar e a cantarolar pagode no trajeto da volta para a casa. Nesse momento que o músico começou a tomar gosto pelo samba, principalmente, e foi quando começou a cantar também nos fins de semanas em aniversários de amigos e não mais só em dias de jogo. Nessa fase surgiu seu primeiro grupo, o ‘Sementes do Amanhã’. Nele, começou tocando cavaquinho e os convites para se apresentar aumentavam, mas o grupo se manteve junto por apenas dois anos. O grupo se dispersou, mas Charlles André continuou a tocar – paralelamente ao futebol – com outros músicos como freelancer e se despertou para outras habilidades. Começou a tocar, além do cavaquinho, outros instrumentos como violão, contrabaixo e guitarra.

Fez diversos trabalhos como músico acompanhante de grandes artistas como Zeca Pagodinho, Sombrinha, Reynaldo (conhecido em São Paulo como príncipe do pagode), Leci Brandão, Arlindo Cruz, Jovelina Pérola Negra e Marquinhos Satã (Santana), até o início de 1994, quando surgiu a oportunidade de trabalhar como contrabaixista da banda Molejo. Naquela época, o grupo estava no auge do sucesso e viajava pelo Brasil para fazer seus shows, foi quando Charlles precisou parar de jogar bola e viver exclusivamente para a música, pois não conseguia conciliar as viagens de shows com os treinos e as partidas de futebol. Mas o sambista não esconde sua saudade dos campos.

Charlles André em apresentação ao vivoNo final de 1994 surgiu o convite do grupo Os Morenos para Charlles André participar da banda não só como músico acompanhante, mas também como cantor, compositor, enfim, integrar-se de fato ao grupo, aparecendo em capas de discos, pôsteres, entrevistas, etc, e a união que se consumou com a efetivação do artista no início de 1995. Em 2000, com a saída de Waguinho do grupo – que se lançava  em carreira solo – Charlles André assumia a voz da banda. Junto com Os Morenos, gravou seis discos, o sexto foi gravado com Charllinhos no vocal – “Ao Vivo”, em show no Olimpo (bairro da Penha no Rio de Janeiro) com os melhores sucessos da carreira do grupo.

Charlles André tem várias influências instrumentais, mas as principais que ele destaca são Mauro Diniz no cavaco, Arlindo Cruz no banjo, e no violão e contrabaixo, respectivamente Billy Teixeira e Paulinho Barriga. “No conjunto de tudo, vale a pena citar a influência artística atual de Djavan, Lulu Santos, Jorge Benjor e Herbert Vianna, por serem grandes cantores, compositores e músicos de seus próprios sons”, afirma Charllinhos.